Festival de Parintins: Caprichoso ou Garantido? Conheça a festa do boi-bumbá do Amazonas

Três noites, dois bois e uma disputa que para o Amazonas. Conheça o Festival de Parintins e entenda por que vale a pena embarcar nessa festa.

Atualizado em 29/05/2026

Postado em 05/07/2024

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Caprichoso ou Garantido? No Festival de Parintins, não tem meio-termo. É um boi ou ‘o contrário’, como costumam se referir ao adversário em Parintins, no Estado do Amazonas. Toda a festa é dividida ao meio: vermelho de um lado, azul do outro; corações versus estrelas. 

A ilha vive desse contraste, mas é em junho que a energia cresce com a proximidade dos três dias de festa, no final do mês. A tradicional festa do Bumba meu boi une competição, lendas indígenas e a alegria que sintetiza a cultura brasileira.

Vale a pena embarcar na ‘temporada bovina’ e presenciar a celebração da nossa cultura. Vem conferir o que é a Festa do Boi de Parintins e como essa festa reúne milhares de pessoas em plena floresta amazônica.

O que é o Festival de Parintins?

O Festival Folclórico de Parintins é uma competição cultural realizada anualmente no final de junho, na ilha de Parintins, no Amazonas. Reconhecido pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil, o evento divide corações entre dois bois-bumbás: o Boi Garantido e o Boi Caprichoso. São três noites de apresentações que misturam lendas indígenas, toadas e a exuberância da cultura amazônica.

Nos dias do Festival, a cidade amazonense recebe cerca de 120 mil pessoas, o dobro da sua população. Além disso, o acesso à Parintins não é trivial. Há alguns voos, mas a maioria vai de transporte fluvial, que leva de 8 a 18 horas dependendo da embarcação, saindo a partir da capital Manaus ou de Santarém, no Pará. 
 

Festival Boi Caprichoso e Boi Garantido. Foto de dois bois e pessoas ornamentadas
Boi Caprichoso e Boi Garantido  / Nathalie Brasil (Agência Petrobras)

A história da origem do Boi Garantido e do Boi Caprichoso

Por falta de registros oficiais, há muita controvérsia sobre a origem do Festival e dos bois-bumbás. É consensual que os bois surgiram em 1913, mas qual surgiu primeiro é uma polêmica que evitaremos. Basta dizer que o Garantido foi criado por Lindolfo Monteverde, na Baixa de São José, uma vila de pescadores, como uma promessa para curar uma enfermidade. Era a representação de bumba-meu-boi, com um boi branco, decorado com coração vermelho. Já o Boi Caprichoso surgiu na região da Francesa e de Palmares. Era, e ainda é, um boi preto, com estrela azul na testa.

O festival em si começou em um tablado no centro da cidade, em 1965, ladeado por duas arquibancadas de madeira, evoluiu e hoje acontece em um ‘bumbódromo', que tem o formato da cabeça de um boi, com camarotes, zona mista e a arquibancada das torcidas, sempre divididas. Nessa área, a iluminação só é acesa enquanto o respectivo boi está se apresentando e a torcida só se manifesta durante a apresentação do seu lado.

A lenda que deu origem à festa do boi de Parintins

Tanto Caprichoso, quanto Garantido representam, todos os anos, a história da Mãe Catirina e do sacrifício do boi favorito do rebanho para atender ao desejo da grávida.

A lenda inspirou o bumba-meu-boi no Maranhão e o boi-bumbá em toda a Região Norte. São origens iguais, mas ritmos e celebrações diferentes. No Amazonas, a lenda é enriquecida com a cultura indígena do Norte e novas lendas são trazidas na evolução das apresentações, a depender do tema escolhido para o ano. 

A floresta e a natureza, sempre presentes, também ornamentam e são lembradas nas apresentações. Tal qual a simbiose de toda a gente da região amazônica com a floresta.

O ritmo de Parintins é a toada, que segundo Luís da Câmara Cascudo, um dos nossos maiores folcloristas, é uma canção breve, em geral de estrofe e refrão em quadras e fala de amor. 

No Boi-Bumbá de Parintins, a temática gira entre a louvação dos itens do boi, a religiosidade do povo, a natureza e o romantismo, variações sempre contextualizadas ao tema do ano.
 

Muita provocação, mas só para festejar

Vista aérea do bumbódromo onde acontece o Festival
O bumbódromo é o palco onde acontece a disputa / Foto: Alex Pazuello (AmazonasTur)

Os versos do amo do boi, personagem das apresentações, provocam da forma que pode, em rimas ácidas, a torcida adversária. Esta, deve permanecer quieta e calada enquanto o outro boi se apresenta para não perder pontos. Esse é um dos temperos da disputa, que propositalmente é dividido entre dois opostos.

É da tensão que vem a energia para a festa. Energia que se transforma em alegria contagiante, que cresce a cada ano. Alegria que, por sua vez, é medida e avaliada como item da competição.

Na verdade, até existe um terceiro boi-bumbá, o Boi Campineiro, adornado com um sol na testa. Chegou a disputar em alguns anos, mas o Festival gira mesmo em torno do Boi Caprichoso e do Boi Garantido. 
 

Como funciona a disputa: os 21 itens que decidem o campeão do festival

Todos os anos, são três dias de festa na última semana de junho, com apresentações de duas horas a duas horas e meia de cada boi, sorteados na semana que antecede a disputa. Três apresentações diferentes e originais, mas coerentes com o tema escolhido. O calor, destacado nesta época do ano, aumenta a ansiedade de todos. 

A competição, em si, avalia a evolução de cada apresentação. As toadas escolhidas são tocadas pela marujada, se for Caprichoso, ou batucada, se for Garantido. São realizados rituais indígenas, com recriações de lendas contextualizadas ao tema escolhido e também aparecerá sempre uma lenda amazônica. 

Individualmente, destacam-se as performances da Cunhã-Poranga, a bela guerreira, que representa a floresta e a natureza, do. Pajé, que comanda os rituais, que acontecem durante a evolução da apresentação e do Apresentador em si, que precisa manter o pique nas três horas, explicando cada entrada e cada simbolismo.

A partir disso, são avaliados 21 itens organizados em três blocos oficiais de julgamento: o “Bloco A” analisa quesitos comuns e musicais, o “Bloco B” avalia cenografia, coreografia e itens individuais, e o “Bloco C” a parte artística do espetáculo.

  1. Apresentador
  2. Levantador de Toadas
  3. Batucada (Garantido) / Marujada (Caprichoso)
  4. Ritual Indígena
  5. Porta-Estandarte
  6. Amo do Boi
  7. Sinhazinha da Fazenda
  8. Rainha do Folclore
  9. Cunhã-Poranga
  10. Pajé
  11. Boi-Bumbá Evolução (Tripa do Boi)
  12. Toada (Letra e Música)
  13. Povos Indígenas
  14. Tuxauas 
  15. Figura Típica Regional
  16. Alegorias
  17. Lenda Amazônica
  18. Vaqueirada
  19. Galera
  20. Organização do Conjunto Folclórico
  21. Evolução Coreográfica 
     

A partir desses 21 pontos, os jurados decidem quem contou a história da lenda da melhor forma naquele ano. A euforia é enorme nos três dias de apresentações, faz par com a ansiedade dos três dias seguintes, enquanto não sai o resultado.
 

Petrobras e o Festival de Parintins: compromisso com a cultura brasileira

De um lado, mulher ornamentada de azul para o festival. Do outro, boi garantido.
Estrelas e Corações encantam quem visita Parintins / Fotos: Clara Angeleas (MinC) e Júlio Miyazaki (Boi Garantido)

É embalado pelo banzeiro do rio, inspirado pelos brincantes de boi e na torcida para que a Boiuna não resolva acordar, que estamos presentes em Parintins para incentivar a cultura regional,  para gerar oportunidades e desenvolvimento. 

Para fortalecer a identidade dos brasileiros, apoiamos mais de 80 projetos culturais presentes em todos os Estados. No mês de junho, assim como o Amazonas inteiro festeja pelos bois de Parintins, a Festa de São João também é comemorada Brasil afora. 

Nosso compromisso é com a igualdade e a inclusão porque acreditamos que a cultura também é nossa energia. Vem conferir bem de perto como é estar no Festival de Parintins, o maior festival folclórico a céu aberto do mundo. 

E afinal, de que lado estamos? Não tivemos dúvidas, escolhemos o Festival de Parintins inteiro! Com suas cores, suas tradições e a energia da cultura amazonense alcançando todo o País. 

Não deixe de conferir outras 10 festas populares para conhecer mais da cultura brasileira!

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