O que é descarbonização e como estamos construindo uma economia de baixo carbono no Brasil
Entenda o que é descarbonização e como podemos continuar desenvolvendo a economia enquanto caminhamos para um futuro de baixo carbono.
Diminuir as emissões de carbono na atmosfera é importante. Mas como estamos fazendo isso?
Especialistas do mundo todo concordam: o futuro não é apenas elétrico. É eclético. O mundo ainda move sua economia com petróleo, carvão e gás natural, e, nos últimos anos, mais de 80% da matriz energética global ainda dependia de combustíveis fósseis.
Em contrapartida, o Brasil avança na descarbonização da economia com metas de redução de suas emissões e neutralidade climática até 2050. Por isso, a transição energética justa, sustentável e eficiente só é possível quando todos os países adotarem fontes renováveis de energia.
Entenda o que é descarbonização da economia, quais são os caminhos possíveis e o que já está sendo feito para atingirmos essa meta.
O que é a descarbonização da economia?
A descarbonização da economia é o processo de reduzir progressivamente a emissão de gases de efeito estufa, principalmente CO2, para criar uma economia global de baixo carbono.
Na prática, isso significa investir em projetos e ações que diminuam os impactos negativos de setores como indústria, transporte e geração de energia para alcançar a neutralidade de carbono (chamada de net zero).
Por que a descarbonização é urgente?
Em um piscar de olhos, a dúvida geral deixou de ser “por que descarbonizar” e passou a ser “como”. O motivo é simples: a economia global ainda é muito pautada no uso de combustíveis fósseis e de produtos com uma grande pegada de carbono. Há poucas décadas, nossa preocupação era produzir petróleo. Hoje, só isso não basta, e temos que produzir petróleo de forma cada vez mais sustentável.
Nesse cenário, a descarbonização funciona como um processo-chave para viabilizar a transição energética de maneira justa para as pessoas e a economia global, que dependem do uso dos derivados do petróleo, do gás natural e do carvão.
A partir dela, países e empresas se unem para desenvolver iniciativas em busca da neutralidade de carbono até 2050 (quando se emite a mesma quantidade de carbono que se captura), além de manter o aquecimento do planeta abaixo do limite de 2°C em relação ao nível pré-industrial, conforme meta definida no Acordo de Paris.
Quais são os benefícios da descarbonização para o meio ambiente?
- Mitigação das mudanças climáticas e redução de eventos climáticos extremos, como secas, enchentes e ondas de calor;
- Redução do aquecimento global (agora também chamado de “ebulição global” por especialistas);
- Conservação da biodiversidade;
- Melhora da qualidade do ar e diminuição de problemas respiratórios.
Como é feita a descarbonização?
A descarbonização é um processo gradual, de longo prazo e feita em conjunto. Entre os principais mecanismos utilizados para atingi-la, estão:
- investimento em fontes de energias renováveis;
- desenvolvimento de produtos de baixo carbono;
- eletrificação de processos;
- aumento do consumo consciente.
Entretanto, é preciso atuar em várias frentes para alcançar as metas de descarbonização. Por isso, a implementação de práticas de agroflorestas — que combinam a produção agrícola à conservação florestal — também é importante para a descarbonização da economia, contribuindo para um equilíbrio do clima. É com elas que podemos gerar impacto positivo ao meio ambiente e também gerar renda para a população, impulsionando uma transição energética justa para todos.
Atualmente, mais de 50% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil vêm das queimadas e do desmatamento. O reflorestamento faz com que mais florestas “sequestrem o carbono” da atmosfera e também evapotranspirem, fazendo com que a água caia na natureza na forma de chuva e nutra o solo, e uma única árvore pode sequestrar 20 quilos de carbono por ano!
Créditos de carbono: o que são e como funcionam?
Um método que já vem sendo utilizado na descarbonização da economia são os créditos de carbono. Eles são gerados por projetos que evitam ou capturam as emissões de gases de efeito estufa e são adquiridos por empresas que desejam compensar as emissões em seus processos produtivos ou operacionais — especialmente naqueles de difícil descarbonização, como no setor de petróleo e gás.
Em 2023, entramos no mercado voluntário de créditos de carbono, adquirindo 175 mil créditos do projeto de REDD+ Envira Amazônia. Isso representa 175 mil toneladas de emissões de CO2 evitadas, o equivalente à preservação de uma área do tamanho de 800 campos de futebol na floresta amazônica. Em 2025, adquirimos 1,2 milhão de créditos do projeto Brazilian Amazon APD Grouped, sendo 455 mil deles usados para compensar as emissões da fasolina Petrobras Podium carbono neutro.
Os créditos foram usados para garantir a compensação das emissões em toda a cadeia de produção de petróleo, refino, distribuição e consumo da Gasolina Petrobras Podium Carbono Neutro, incluindo as emissões dos 25% de etanol anidro e de sua cadeia de produção, inseridos conforme a lei.
Nossa prioridade será adquirir créditos que contribuam para a conservação e recuperação dos biomas brasileiros. Nosso foco é garantir que os créditos utilizados gerem benefícios climáticos, sociais e ambientais para o país, de forma transparente e rastreável.
💡 Conheça a primeira gasolina carbono neutro do país
Nossa prioridade será adquirir créditos que contribuam para a conservação e recuperação dos biomas brasileiros. Nosso foco é garantir que os créditos utilizados gerem benefícios climáticos, sociais e ambientais para o país, de forma transparente e rastreável.
O que é o Mercado Regulado de Carbono?
A chegada do Mercado Regulado de Carbono no Brasil representa uma grande mudança para o setor energético. Sancionada em 2024, a Lei 15.042 institui o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE) e cria um mecanismo obrigatório de precificação de carbono para os setores de maior intensidade emissora do país.
Na prática, empresas que ultrapassarem seus limites de emissão precisarão comprar créditos, e quem emitir menos poderá vendê-los. Mas nós não esperamos a regulamentação para agir: as compensações de emissões (offsets) são estratégias complementares em nossa estratégia de descarbonização.
Já adotamos a simulação de preços internos de carbono na avaliação de projetos para que os combustíveis do futuro sejam sustentáveis, economicamente viáveis e competitivos mesmo com o peso do carbono contabilizado, sem repassar ineficiências ao consumidor.
CCUS: tecnologia para descarbonização da indústria de petróleo e gás
Estamos focados na descarbonização de nossas operações, mas sabemos que ainda não é possível impedir 100% das emissões de carbono. Para ajudar a solucionar esse problema, utilizamos uma inovação tecnológica para fazer captura, uso e armazenamento de carbono já na extração do petróleo.
A tecnologia de CCUS (sigla para Carbon Capture, Utilization and Storage) nos permite separar o carbono já durante a extração do petróleo e inseri-lo novamente no reservatório. Isso evita a emissão para a atmosfera e reduz os danos ao meio ambiente. E ainda tem outra boa notícia: a reinjeção do carbono no solo também ajuda a aumentar a produtividade dos poços de petróleo!
Com tecnologias como essa, nossa média de emissão por barril de petróleo é muito menor. Mas é no pré-sal que os números se destacam: nossa produção em alguns campos chega à metade da média mundial! Assim, buscamos a neutralidade das emissões, emitindo o mesmo tanto de carbono que conseguimos absorver.
💡 Descubra mais sobre CCUS, o nosso programa que tem o maior volume de captura do mundo
Programa Carbono Neutro: como estamos reduzindo a emissão de GEE
Você sabia que nós vamos investir US$ 1 bilhão até 2030 em um Fundo de Descarbonização? Isso será feito por meio do Programa Carbono Neutro, criado para fortalecer nossa atuação em baixo carbono e também reduzir custos das soluções para descarbonização.
Conheça nossas iniciativas que estão sendo desenvolvidas por diferentes áreas de negócios, em diversas frentes de atuação.
Agora de volta ao nosso Fundo de Descarbonização: ele é voltado para acelerar a descarbonização de nossas operações (escopos 1 e 2), visando atender aos compromissos ambientais e a ambição de neutralizar nossas emissões de carbono até 2050 (ambição net zero).
Quer conhecer mais sobre nossas iniciativas de descarbonização?
No 2º episódio da nossa série “Um Brasil de Energia", no YouTube, os jornalistas Francisco José e Diógenes Dantas levam você para conhecer diferentes soluções de descarbonização, como o CCUS e o reflorestamento.
Dê o play e veja de perto tudo isso na prática!
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